sexta-feira, 22 de maio de 2009

O POETA

Da série: Poesias nunca vistas na internet.

LUÍS CARLOS
1880-1932

Ninguém saiba quem sou. Quero viver sepulto
Na minha solidão grandíloqua de asceta,
Preferindo aos clarões do mundo a luz secreta
Que aclara, quando é sonho, e abrasa quando é culto.

Perpasse eu pela vida aparentando um vulto
Envolto no pudor, como visão discreta;
Mas que surja, por fim, transfigurado em poeta,
Da crisálida azul em que o meu ser oculto.

E, através da efusão fecundante do dia,
Suba àquelas regiões, de onde os sóis não se somem
No equilíbrio imortal da suprema harmonia;

E fique, no esplendor que as eras não consomem,
Provando, pela glória estranha da poesia,
Como pode caber um deus dentro de um homem!

2 comentários:

Valdecy Alves disse...

Parabéns pelo blog voltado para cultura. Leia minha poesia: CANTO AO CEARÁ, selecionada para coletânea do XII Prêmio Ideal Clube de Literatura. Obra lançada no dia 21 de janeiro de 2010. Leia, comente e divulgue. Veja também meu documentário, penúltima matéria do blog: Padim Ciço, Santo ou Coronel? Meu blog: www.valdecyalves.blogspot.com

BLOG DO PROFEX disse...

Não conhecia o texto. Muito bom! Gostei também do blog. Um grande abraço!

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